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Paulo Mendes Campos em entrevista à Beatriz Marinho para O Estado de S. Paulo, de 22/09/1985
14 jul 2026
Flautas, melancias e colibris
Sérgio Augusto
Se literatura não é, como muitos asseguram, e jornalismo tampouco, como outros tantos afirmam, que apito, afinal, toca a crônica? Crônicas são como “flautas de papel”, disse Manuel Bandeira, ele próprio um mestre de sua prosa fugaz, escrita em cima da hora ou de um dia para o outro, dentro de um espaço reduzido e em tom displicente, sem, pela receita do velho Eça, “a voz grossa da política, nem a voz indolente do poeta, nem a voz doutoral do crítico”. A voz da crônica é pequena, serena e clara, como a de quem conta aos amigos tudo que andou ouvindo, perguntando e esmiuçando. Apesar de ligada umbilicalmente ao jornalismo, dele se distanciou por sua inata capacidade para glosar fatos, situações e incidentes, por visar...