Umberto Eco está sendo processado em Chipre como plagiário. O autor da ação é o cipriota Costa Socratoos. Acusa Eco de ter copiado o seu romance O excomungado. Quer uma indenização de dois milhões e 200 mil dólares. Demetrios Siatopoulos depôs recentemente como testemunha. Poeta e crítico, o grego Siatopoulos jura que O nome da rosa é cópia servil do romance de Socratoos.

Esta é uma, e atualíssima, entre as várias histórias de plágio que andam pelo mundo. Há tempos andei reunindo umas notinhas para escrever sobre a cola. Cola como cópia clandestina de um ponto de exame a que um estudante tem de responder. A definição é do Nascentes. A cola a seu modo não deixa de ser um plágio, mas tem um sentido específico. No meu tempo de estudante, cola era roubo. Dito assim mesmo.

O estudante que fosse apanhado colando levava nota zero e sofria severa punição. Reincidente, podia chegar à expulsão. O rigor da disciplina levava os alunos a multiplicar os recursos de sua astúcia. O excesso de autoridade estimula a esperteza e a hipocrisia. Hoje há quem sustente que a cola é legítima. A pedagogia condena a chamada “decoreba”. Ninguém sabe mais nada de cor. Tabuada? Que nada! Maquininha de calcular. Nem o telefone de casa é preciso guardar. A agenda eletrônica resolve.

O Rui Nogueira deu notícia na Folha de um “esquadrão anti-cola” que na Universidade de Brasília vigia o vestibular. Revira salas, banheiros e corredores à procura de cola. No ano passado, fizeram 15 flagrantes. 12 foram advertidos e três foram desclassificados. A coisa agora é tão sofisticada que a UnB rastreia o campus com aparelhos eletrônicos. Tudo para pegar quem cola. Parece o SNI. Mas cola é feito contrabando: por mais que se feche a malha, sempre passa uma fraudezinha.

Mera coincidência, o Collor estudou em Brasília, ainda que não tenha sido na UnB. O plágio do texto do Merquior foi chamado de cola por várias vozes. Ficou de fato uma coisa feia, porque há longos trechos que são cópias. Ipsis litteris. Ou “verbatim”. Nenhuma dúvida de que o presidente bobeou. A santimônia ia passando despercebida. A meu ver, o caso não é bem o do ghost writer, expediente legítimo para um presidente. Mas se o rapaz não é escritor, então impedisse a aparição do fantasma. Aliás, cola significa também rabo. No caso, ficou de fora.

otto-lara-resende
As crônicas aqui reproduzidas podem veicular representações negativas e estereótipos da época em que foram escritas. Acreditamos, no entanto, na importância de publicá-las: por retratarem o comportamento e os costumes de outro tempo, contribuem para o relevante debate em torno de inclusão social e diversidade.
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