Nesta época do ano de muito movimento na estrada, o perigo ronda por todo lado. O Brasil é recordista em matéria de acidentes fatais. A av. Brasil, como a variante de Petrópolis, podem ser chamadas de genocidas. Os campos de concentração nazistas mataram durante uns tantos anos. Os carrascos depois foram julgados. Aqui o trânsito continua matando sem conta e grande número dos acidentes nem chega ao inquérito e ao processo.
Como se já não bastasse este gênero de preocupação, há na av. Brasil um tipo de golpe que dura há anos. A saída para a serra e para outros destinos passa obrigatoriamente por ali, o que lhe dá um tráfego pesado como poucos há no mundo. No trecho já próximo do fim, ou do começo, depende se o carro vem ou vai, é que se situa o tal golpezinho de joão sem braço. Uma coisa sórdida. Você vai atento ao volante e ouve uma espécie de estampido na traseira do carro.
Logo vem a ultrapassagem com os dois pilantras. Dois rapazes fortes, perfeitamente válidos para o trabalho honrado. Ultrapassam e forçam a mão para você se recolher ao acostamento. Entre sinais de alarme, gritam palavras que você mal distingue. Fogo, denunciam. Se você cai na asneira de parar, os espertinhos vêm com a conversa pronta. Às vezes um deles até usa o jaleco de mecânico.
Com o diagnóstico fajuto, põem o freguês de castigo naquela soalheira, enquanto lhe empurram uma bobina ou qualquer coisa do gênero que vão buscar numa oficina próxima. Mas nova é a sua bobina, não a deles. No sufoco da angústia, você paga o absurdo que lhe pedem e ainda é capaz de agradecer. Com cara de tacho e ainda por cima com medo. Eles saem imediatamente atrás de outra vítima. Se vem uma moça sozinha, ou um casal de velhos, repetem inteira a encenação. Por incrível que pareça, o êxito é quase sempre certo. E ali ficam o dia inteiro, nessa caça imunda.
Isto acontece há anos. Muita gente já caiu no conto, mas ou cala, ou esquece. Se você reclamar na patrulha rodoviária, vão lhe dizer que não é área federal. Policiamento ostensivo? Nanja! Por isto é que digo que o brasileiro é o povo mais ordeiro do mundo. Mesmo nesta época de festas e feriados, você quase não vê polícia. Uma coisa me intriga: como é que um golpe sujo desse existe há tanto tempo e ninguém faz nada? Dá para desconfiar. Há quem jure que a polícia é conivente. Tão Brasil!