Não sei se ainda tem, mas tinha. Ainda deve ter. Atração por Copacabana. Todo mineiro, se pensa no Rio, pensa em Copacabana. Antigamente era assim. Não só os mineiros. Todo mundo. Copacabana era a marca do Rio. E ainda é. O bairro síntese, como a ilha de Manhattan em Nova York. Ou a Champs-Elysées em Paris. Copacabana de fato tem a praia, o mar aberto. Os arranha-céus. E as moças. As gatas, como se diz hoje.

Gatas, gatinhas e onças de meter medo, que se desnudam e andam pelas ruas. Homens também, de todo tipo e gênero. Nos velhos tempos, pensou Rio, pensou Copacabana. Também o turista estrangeiro chegava aqui e tropeçava no nome que o carioca diz com naturalidade. Aliás, que é que o carioca não diz ou não faz com naturalidade? O carioca da gema é isto. Um ser natural. Íntimo da natureza. Bronzeado, entre o verde da mata e o azul do mar.

Copacabana daquele tempo, sim, me lembro bem, com uma pontada no peito. Vindos de Minas, o Paulo e eu, num domingo de sol, esperando o Vinicius no Bife de Ouro. No apartamento do Fernando, ao lado do cinema Metro, onde morava a menina Danuza, o sono chegava com o sol. E com o sol a rua fervilhava. O barulho infernal do rio de aço não deixava dormir o mineiro afeito à calada montanha. Também morei em Copacabana. Na avenida Atlântica. Depois no posto seis.

Depois na Praça Serzedelo Correia. Na esquina, domingo, no Bon Marché, o Rodrigo ia bebericar o seu uísque na roda de mineiros. Depois vim para a Gávea. É outra freguesia. Outra civilização. Mas a gente morava em Copacabana. Mais tarde passava por Copacabana. Hoje vou lá de vez em quando. Sem nada ter com o seu centenário, lá fui três vezes por estes dias. Uma zorra tremenda, mas gostei. Olhei o mar, nostálgico.

Diante do restaurante, me perguntava como é que arranjaram espaço pra tantas mesas. Ali era o Ariston, que deu o Nino’s, que deu o Antonino’s, que deu o Antonio’s, que deu o Florentino do Leblon. E o de Brasília. Está aí todo um itinerário no tempo. Entrei no n° 36 e ouvi dizer que havia um assalto com refém no n° 50. Uma senhora estava assustada. Eu pensava comigo: poxa, como Copacabana está diferente! Mas digam o que disseram, é Copacabana. Mudou, sim. Mas eu também mudei. É melhor parar por aqui.

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Não sei se ainda tem, mas tinha. Ainda deve ter. Atração por Copacabana. Todo mineiro, se pensa no Rio, pensa em Copacabana. Antigamente era assim. Não só os mineiros. Todo mundo. Copacabana era a marca do Rio. E ainda é. O bairro síntese, como a ilha de Manhattan em Nova York. Ou a Champs-Elysées em Paris. Copacabana de fato tem a praia, o mar aberto. Os arranha-céus. E as moças. As gatas, como se diz hoje.

Gatas, gatinhas e onças de meter medo, que se desnudam e andam pelas ruas. Homens também, de todo tipo e gênero. Nos velhos tempos, pensou Rio, pensou Copacabana. Também o turista estrangeiro chegava aqui e tropeçava no nome que o carioca diz com naturalidade. Aliás, que é que o carioca não diz ou não faz com naturalidade? O carioca da gema é isto. Um ser natural. Íntimo da natureza. Bronzeado, entre o verde da mata e o azul do mar.

Copacabana daquele tempo, sim, me lembro bem, com uma pontada no peito. Vindos de Minas, o Paulo e eu, num domingo de sol, esperando o Vinicius no Bife de Ouro. No apartamento do Fernando, ao lado do cinema Metro, onde morava a menina Danuza, o sono chegava com o sol. E com o sol a rua fervilhava. O barulho infernal do rio de aço não deixava dormir o mineiro afeito à calada montanha. Também morei em Copacabana. Na avenida Atlântica. Depois no posto seis.

Depois na Praça Serzedelo Correia. Na esquina, domingo, no Bon Marché, o Rodrigo ia bebericar o seu uísque na roda de mineiros. Depois vim para a Gávea. É outra freguesia. Outra civilização. Mas a gente morava em Copacabana. Mais tarde passava por Copacabana. Hoje vou lá de vez em quando. Sem nada ter com o seu centenário, lá fui três vezes por estes dias. Uma zorra tremenda, mas gostei. Olhei o mar, nostálgico.

Diante do restaurante, me perguntava como é que arranjaram espaço pra tantas mesas. Ali era o Ariston, que deu o Nino’s, que deu o Antonino’s, que deu o Antonio’s, que deu o Florentino do Leblon. E o de Brasília. Está aí todo um itinerário no tempo. Entrei no n° 36 e ouvi dizer que havia um assalto com refém no n° 50. Uma senhora estava assustada. Eu pensava comigo: poxa, como Copacabana está diferente! Mas digam o que disseram, é Copacabana. Mudou, sim. Mas eu também mudei. É melhor parar por aqui.

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Não sei se ainda tem, mas tinha. Ainda deve ter. Atração por Copacabana. Todo mineiro, se pensa no Rio, pensa em Copacabana. Antigamente era assim. Não só os mineiros. Todo mundo. Copacabana era a marca do Rio. E ainda é. O bairro síntese, como a ilha de Manhattan em Nova York. Ou a Champs-Elysées em Paris. Copacabana de fato tem a praia, o mar aberto. Os arranha-céus. E as moças. As gatas, como se diz hoje.

Gatas, gatinhas e onças de meter medo, que se desnudam e andam pelas ruas. Homens também, de todo tipo e gênero. Nos velhos tempos, pensou Rio, pensou Copacabana. Também o turista estrangeiro chegava aqui e tropeçava no nome que o carioca diz com naturalidade. Aliás, que é que o carioca não diz ou não faz com naturalidade? O carioca da gema é isto. Um ser natural. Íntimo da natureza. Bronzeado, entre o verde da mata e o azul do mar.

Copacabana daquele tempo, sim, me lembro bem, com uma pontada no peito. Vindos de Minas, o Paulo e eu, num domingo de sol, esperando o Vinicius no Bife de Ouro. No apartamento do Fernando, ao lado do cinema Metro, onde morava a menina Danuza, o sono chegava com o sol. E com o sol a rua fervilhava. O barulho infernal do rio de aço não deixava dormir o mineiro afeito à calada montanha. Também morei em Copacabana. Na avenida Atlântica. Depois no posto seis.

Depois na Praça Serzedelo Correia. Na esquina, domingo, no Bon Marché, o Rodrigo ia bebericar o seu uísque na roda de mineiros. Depois vim para a Gávea. É outra freguesia. Outra civilização. Mas a gente morava em Copacabana. Mais tarde passava por Copacabana. Hoje vou lá de vez em quando. Sem nada ter com o seu centenário, lá fui três vezes por estes dias. Uma zorra tremenda, mas gostei. Olhei o mar, nostálgico.

Diante do restaurante, me perguntava como é que arranjaram espaço pra tantas mesas. Ali era o Ariston, que deu o Nino’s, que deu o Antonino’s, que deu o Antonio’s, que deu o Florentino do Leblon. E o de Brasília. Está aí todo um itinerário no tempo. Entrei no n° 36 e ouvi dizer que havia um assalto com refém no n° 50. Uma senhora estava assustada. Eu pensava comigo: poxa, como Copacabana está diferente! Mas digam o que disseram, é Copacabana. Mudou, sim. Mas eu também mudei. É melhor parar por aqui.

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Nos velhos tempos, pensou Rio, pensou Copacabana. Também o turista estrangeiro chegava aqui e tropeçava no nome que o carioca diz com naturalidade. Aliás, que é que o carioca não diz ou não faz com naturalidade? O carioca da gema é isto. Um ser natural. Intimo da natureza. Bronzeado, entre o verde da mata e o azul do mar. Copacabana daquele tempo, sim, me lembro bem, com uma pontada no peito. Vindos de Minas, o Paulo e eu, num domingo de sol, esperando o Vinicius no Bife de Ouro. No apartamento do Fernando, ao lado do cinema Metro, onde morava a menina Danuza, o sóno chegava com o sol. E com o sol a rua fervilhava. O barulho infernal do rio de aço não deixava dormir O mineiro afeito à calada montanha. Também morei em Copacabana. Na avenida Atlântica, Depois no Posto Seis. Depois na Praça Serzedelo Correia. Na esquina, domingo, no Bon Marché, o Rodrigo ia bebericar o seu uísque na roda de mineiros. Depois vim para a Gávea. É outra freguesia. Outra civilização. Mas a gente morava em Copacabana. Mais tarde passava por Copacabana. Hoje vou lá de vez em quando. Sem nada ter com o seu centenário, lá fui três vezes por estes dias. Uma zorra tremenda, mas gostei. Olhei o mar, nostálgico. Diante do restaurante, me perguntava como é que arranjaram espaço pra tantas mesas. Ali era o Ariston, que deu o Nino’s, que deu o Antonino’s, que deu o Antonio’s, que deu o Floren-tino do Leblon. E o de Brasília. Está aí todo um itinerário no tempo. Entrei no n? 36 e ouvi dizer que havia um assalto com refém no n? 50. Uma senhora estava assustada. Eu pensava comigo: puxa, como Copacabana está diferente! Mas digam o que disseram, é Copacabana. Mudou, sim. Mas eu também mudei. 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