Um dos furtos mais sujos dos últimos tempos não chegou ao noticiário dos jornais. Registrou-se o mesmo aqui no Rio, na Gávea, há poucos dias.
Santa Clara, que foi discípula de São Francisco de Assis, no século XII, fugiu de casa para fundar uma ordem de regulamento severo: que veio a ser chamada das Clarissas.
Essa ordem tem uma licença especial, que é privilégio no entender dos espíritos religiosos: o Papa lhe concedeu permissão de pobreza absoluta. É a única ordem do mundo que “goza” dessa prerrogativa.
As Clarissas andam descalças, cobertas de um hábito de zuarte, e nem podem guardar no convento o alimento do dia de amanhã. Não podem guardar para o futuro a riqueza de um pedaço de pão. Usam talheres e pratos de pau. Dormem pouco, pegam trabalhos duros, e muito rezam por nós, pecadores. Se almas piedosas não lhes trazem comida, manda a ordem que se toque o sino do convento, pedindo o socorro dos vizinhos.
Foi no “Convento das Pobres Clarissas”, à rua Jequitibá, 41, que um bando de gatunos entrou, aproveitando o momento em que as freiras assistiam à missa. Os maus ladrões revistaram tudo, viraram a clausura de pernas para o ar, mexeram nas gavetas, desmancharam os colchões. Nada encontraram. Era tudo nu e despojado como a pureza. Minto. Encontraram uma dúzia de ovos, que a mãe de uma das religiosas levara à filha doente. Foi tudo que esses ladrões calhordas conseguiram achar e carregar.
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Os pais de um recém-nascido, moradores do Leblon, receberam de presente uma dessas banheiras de borracha para criança. Agradeceram o presente com um cartão ao amigo que o enviara:
Se houvesse água no Leblon a sua banheira teria uma utilidade formidável.
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O principezinho herdeiro da Suécia, que conta agora cinco anos, brincava no parque diante do castelo real, em Estocolmo, quando um senhor idoso o abordou:
− Você não é o príncipe Carl Gustay?
O menino virou a cara, muito sério:
− Não, senhor: sou o pato Donald.