Recebemos de um leitor “a descrição de uma vaca, colhida em uma revista de ginásio, de autoria de um alemãozinho-brasileiro, de dez anos, que, por seus acentuados dotes de observação, talvez encarne um futuro escritor”.
Eis a peça:
“A vaca é animal mamífero doméstico. Tem seis lados: o de cima, o de baixo, o direito, o esquerdo, o de diante e o de trás. Adiante há a cabeça. Tem chifres e há lugar para a boca.
Os chifres são para bater, a boca para mugir. A vaca é toda coberta de couro de vaca.
Embaixo, há a caixa do leite. É feita para puxar. Não sabe como a vaca faz. Atrás há o rabo com penacho. Com este a vaca enxota as moscas. Estas caem no leite. A vaca também faz a cada ano um bezerro. A gente não sabe como ela faz. Meu irmão diz que sabe.
A vaca tem um bom cheiro. A vaca cheira de longe. Isto faz o bom cheiro do campo. O homem da vaca é o boi. Ele não tem leite embaixo. Por isso ele não é mamífero. Dizer a alguém vaca é xingar. O bezerro come macarrão, a vaca come capim e casca de batata. Não come muito, come outra vez o que comeu. Quando se sacode, a comida vem outra vez à boca, e ela come até não ter mais fome. Quando a comida é boa, o leite é bom. Quando a comida é ruim, o leite é ruim. Quando troveja, é azedo. É tudo que sei sobre a vaca”.
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Um jornal conta a história do que chama o “otimismo do ator Fernandel”. Outro dia, um autor de teatro lhe contava que sua mulher murmurava durante o sono o nome de um homem:
— Não, Antônio! Não, Antônio!
Fernandel, tranquilizou-o:
— Mas se ela diz “não”, meu caro, você deve sentir-se até feliz.
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Em 1932, no centenário da morte de Goethe, era presidente de Minas o velho Olegário Maciel. Que tinha um irmão, ainda mais velho do que ele, muito conhecido em Belo Horizonte, e sempre pelo seu apelido de Gote.
Por incrível que pareça, quando os jornais começaram a falar em Goethe e a exaltá-lo, o presidente do estado recebeu centenas de telegramas de congratulações pela passagem do aniversário de seu irmão.