Nasceu (1912) apenas em Caruaru (Pernambuco), mas se orgulha disso. O pai era um homem rico, dono de muitos negócios, que uma vez perdeu 700 contos no incêndio de um depósito de algodão. Amigo de infância e de toda a vida: Álvaro Lins, filho do “seu” Pedro Alexandrino, secretário da Prefeitura. Foi aos 12 anos para o Recife estudar no colégio Padre Felix Barreto, ali foi colega de Mauro Mota, depois veio para o Aldridge do Rio, onde foi colega de Murilo Miranda e Lúcio Rangel. Voltou para o Recife, veio outra vez para o Rio (Internato do Pedro II) e acabou o curso secundário em Petrópolis.
Em 1935 era repórter marítimo do Diário de Notícias; um sábado o secretário da redação, Vitorino de Oliveira, achou que podia encarregá-lo de uma reportagem política, mandou-o à estação da Central esperar o embaixador Macedo Soares que chegava à noite de São Paulo e diziam que ia ser (foi) ministro da justiça. Mas João tinha uma noiva e um baile no Fluminense, inventou umas declarações vagas do sr. Macedo Soares e pegou no arquivo uma fotografia dele chegando ao Rio. Na segunda-feira, O Globo gozou a “barriga”, pois o embaixador não viera.
Formou-se em direito em 1937, casou-se em 48, tem três filhos, acha que não podia ser melhor sua vida de família, joga pôquer uma vez por semana, adora a sogra, adora comer cebola, coleciona discos de Mozart (116), imagens de santos, gravuras e facas de ponta, aos domingos come galinha de cabidela, fica ruborizado quando o chamam de escritor e o elogio que mais o comoveu na vida foi o contido nestas palavras de um artigo de Sérgio Milliet: “o bom João Condé”.
Chora muito no cinema, gosta sobretudo dos quadros de Pancetti, tem horror a ouvir falar em doença ou morte (sai da mesa), almoça todo dia com Zé Lins na Colombo, há muitos anos, toma taque moderato à tardinha no Vilarinho, é procurador do IAPC, faz há quatro anos o Jornal de Letras com seus irmãos José (escritor) e Elysio (médico) e seus famosos arquivos implacáveis são imensos, preciosos, mas desarrumadíssimos, apesar dos esforços de sua filha de 12 anos, Maria Tereza. Seus flashes são seguramente a seção mais imitada na imprensa do Brasil, torce pelo Fluminense na televisão e está fundando um museu de arte popular em Caruaru, mas já estão xingando ele lá porque ainda não mandou o projeto da casa, e a culpa é do Aldary Toledo que todo dia promete, e como é de graça João não pode insistir demais.
Dá-se com tudo quanto é escritor, da direita, do centro e da esquerda, velho ou novo: seus amigos mais diletos, além do mencionado Álvaro Lins, são Odorico Tavares, Mauro Mota e Luís Jardim, suas admirações nacionais maiores são Gilberto Freyre, Manuel Bandeira, José Lins do Rego, Carlos Lacerda e Augusto Frederico Schmidt. Ele citou mais um, mas como não vejo qualquer motivo para essa admiração, deixo de incluir.
Disse que o pior jogador de pôquer do Brasil é o Rogério Pongetti, o melhor é o Hélio Fernandes. Vai fazer uma exposição de cem originais manuscritos de livros brasileiros. Dois ideais na vida: voltar a Portugal, que adorou, e ter um sítio. Até hoje fala com jeito de Caruaru: fala e vive.