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10 out 1955
Loló, etc.
Rubem Braga
Correio da Manhã
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19 out 1955
Descoberta
Rubem Braga
Correio da Manhã
SANTIAGO DO CHILE, outubro - Passei dias no escritório lendo coisas, escrevendo coisas, discutindo coisas, telefonando, providenciando, funcionando. E, enquanto isso, ela invadia a bela República do Chile e dançava e sorria por todos os campos,...
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20 out 1955
As luvas
Rubem Braga
Correio da Manhã
Só ontem o descobri, atirado atrás de uns livros, o pequeno par de luvas pretas. Fiquei um instante a imaginar de quem poderia ser, e logo concluí que sua dona é aquela mulher miúda, de risada clara e brusca e lágrimas fáceis, que veio duas...
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28 out 1955
Carta
Rubem Braga
Correio da Manhã
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14 nov 1955
Os turistas
Rubem Braga
Correio da Manhã
Éramos turistas. Éramos, talvez um pouco demasiado, turistas. Falávamos alto, apontávamos coisas, ríamos à toa, nosso carro tinha placa diplomática; nós tínhamos sotaque, ignorância e até máquinas fotográficas. Na verdade, havia...
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15 nov 1955
Tremor
Rubem Braga
Correio da Manhã
Estou há não sei quantos meses em Santiago, e sempre fui obrigado a confessar a meus amigos chilenos que não senti nenhum tremor. A verdade é que isso irrita um pouco meus amigos chilenos. Dezenas de vezes eles despertaram pela madrugada, com o...
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14 jun 1958
Sizenando, a vida é triste
Rubem Braga
Manchete
Está provado que acordar mais cedo faz o dia maior. Esta frase não é minha, e desgraçadamente não consegui saber o nome de seu autor, pois acordei muito cedo, mas não bastante cedo; quando liguei o rádio às 6h10 a aula já havia começado;...
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04 fev 1956
Lavoura
Rubem Braga
Manchete
Esse homem deve ser de minha idade – mas sabe muito mais das coisas. Era colono em terras mais altas, se aborreceu com o fazendeiro, chegou aqui ao Rio Doce quando ainda se podia requerer duas colônias de cinco alqueires “na beira da água...
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12 maio 1957
A casa
Rubem Braga
Diário de Notícias
Outro dia eu estava folheando uma revista de arquitetura. Como são bonitas essas casas modernas; o desenho é ousado e às vezes lindo, as salas são claras, parecem jardins com teto, o arquiteto faz escultura em cimento armado e a gente vive...
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26 out 1957
A primeira mulher do Nunes
Rubem Braga
Manchete
Hoje, pela volta do meio-dia, fui tomar um táxi naquele ponto da praça Serzedelo Correia, em Copacabana. Quando me aproximava do ponto notei uma senhora que estava sentada em um banco, voltada para o jardim; nas extremidades do banco estavam...
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13 nov 1959
Ai de ti, Copacabana!
Rubem Braga
Manchete
Esta crônica foi publicada há tempos em outra revista. Grande tem sido o número de leitores a pedir ao autor uma “reprise”, o que nos leva, contra as normas da casa, a publicá-la novamente. 1. Ai de ti, Copacabana, porque eu já fiz o...
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19 abr 1958
Uma conversa de bar
Rubem Braga
Manchete
Falamos sobre sorvetes, eu disse que tinha tomado um ótimo, de carambola.– Não sei que graça você acha em carambola.Falamos sobre carambola, discutimos sobre carambola; passamos a romã e finalmente a jambo; sim, há o jambo-moreno e o jambo...
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05 mai 1959
Louvação
Rubem Braga
Mundo Ilustrado
Já escrevi sobre isso mas a coisa me impressionou, e além do mais ainda não recebi os jornais, são 6h40, e Chico Brito combinou de passar com o Cavalcanti às oito horas para irmos às enchovas. Se começar a procurar assunto, acabo perdendo a...
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19 set 1959
Conversa de compra de passarinho
Rubem Braga
Manchete
Entro na venda para comprar uns anzóis, e o velho está me atendendo quando chega um menino da roça com um burro e dois balaios de lenha. Fica ali, parado, esperando. O velho parece que não o vê, mas afinal olha as achas com desprezo e pergunta:...
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13 nov 1959
A palavra
Rubem Braga
O Globo
Tanto que tenho falado, tanto que tenho escrito – como não imaginar que, sem querer feri alguém? Às vezes sinto, numa pessoa que acabo de conhecer, uma hostilidade surda, ou uma reticência de mágoas. Imprudente ofício é este, de viver em...
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23 jan 1960
A minha glória literária
Rubem Braga
Manchete
"Quando a alma vibra, atormentada..." Tremi de emoção ao ver essas palavras impressas. E lá estava o meu nome, que pela primeira vez eu via em letra de forma. O jornal era O Itapemerim, órgão oficial do Grêmio Domingos Martins, dos alunos do...
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1 ago 1960
O pavão
Rubem Braga
O Globo
Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas...
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14 jan 1961
Uma ideia não muito boa
Rubem Braga
Manchete
Estive relendo outro dia A voz humana, de Cocteau. É peça de um só ato e um só personagem. Uma pobre mulher amarga passa todo o tempo falando ao telefone – chora, ri, soluça, discute, mente. Do outro lado do fio está um homem, que o...
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4 mar 1961
Um sonho de simplicidade
Rubem Braga
Manchete
Então, de repente, no meio dessa desarrumação feroz da vida urbana, dá na gente um sonho de simplicidade. Será um sonho vão? Detenho-me um instante, entre duas providências a tomar, para me fazer essa pergunta. Por que fumar tantos cigarros?...
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16 dez 1961
Duas meninas e o mar
Rubem Braga
Manchete
Foi há muito tempo, no mediterrâneo, ou numa praia qualquer perdida na imensidão do Brasil? Apenas sei que havia sol e alguns banhistas; e apareceram duas meninas vestidas com vestidos compridos ― o de uma era verde, e de outra era azul. Essas...
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13 jun 1964
Uma tarde, em Buenos Aires...
Rubem Braga
Manchete
Uma tarde em Buenos Aires eu estava meio triste – mas não bebi, não telefonei, não procurei nenhuma pessoa amiga. Fechado no meu capote e no meu silêncio, pus-me a andar pela rua cheia de gente. As grandes luzes só se acendem às dez da noite...
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